terça-feira, 24 de janeiro de 2012

O plano era viver de poesia, e não de academia. Porra!

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

De Pinheirinho à Parque Oeste

De Pinheirinho à Parque Oeste,
a reintegração de posse,
que garante muitas mortes,
que garante a posse de especuladores
com o sangue de trabalhadores.
Com as mães que perdem seus filhos,
com a população que perde seus direitos
de serem tratados como dignos
e respeitados pelos eleitos.
A posse, a propriedade privada,
a truculência da polícia armada,
o Estado que legitima,
a polícia que extermina.
A especulação imobiliária causa a guerra urbana.
Só a luta da classe operária garante a vida mais humana.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Nada

Porque comigo,
a vida é do deslumbre,
Do desbunde,
Do desmando.

Nada do que é fraterno,
Eterno,
ou paterno,
mas, caso queiras,
pode ser materno.

Nada de sagrado,
nada de jurado,
nada de sacramentado...

Nada censurado.

Nada do que pensas,
Nada do que sonhas,

Tudo que ordenas.

Nada do que queres,
Com todas as intempéries,
Sob as nossas peles.

Nada programado,
Nada consagrado,
Nada ao seu lado,

Tudo, ao seu grado.

quinta-feira, 3 de março de 2011

De tudo o que já aprendi em minha vida,
de Espiritismo, Paganismo,
passando por Reich a comunismo,
o que me pergunto,
na verdade,
é o que, de fato,
ficou em mim?
O que ficou de toda a boa escrita acadêmica,
de todas as filosofias ecumênicas,
O que fica, de verdade e, arrisco dizer,
para sempre,
no coração?
O que fica depois de tudo isso,
de todos os ensinamentos da infância,
das poesias não gravadas na madrugada,
dos beijos, doces ou fortes,
das amizades, boas ou tórridas.
O que fica, de verdade, no coração?
O que fica depois daquele não,
o que fica dos que eram unidos por aquela única pulsação.
O que fica de todos os que se foram para aqueles que virão?
O que fica, na verdade, no coração?
O que fica no traçado das linhas?
O que fica,
na verdade,
fica nas entrelinhas.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Comecei este texto, meio trôpego, querendo dizer sobre quando se sabe o fim de um amor... sabe-se o fim pelo fim do brilho nos olhos, pelo fim do tesão, mas, quero falar, na verdade, e sobretudo, sobre como se sabe o fim de um sonho. Como saber reconhecer a tão famigerada frase de que “o sonho acabou”. E quando digo sonho, não me refiro apenas ao sonho fabuloso do amor, refiro-me a sonhos de vida. Como reconhecer e, acima de tudo, como seguir adiante, quando o sonho acabou? Quando se sabe que para si só resta mesmo esta cara amarrada no fundo de um copo. Quando, para todos, só restam os sonhos de outrem, os sonhos, que não foi você quem sonhou. Quando, na porta ao lado, esta porta está fechada. Quando, não se sabe sonhar e, por isso, não compensa nem dormir. Como sobreviver a um sonho abortado, ainda juvenil, e seguir adiante, fingindo ser adulta. Como ser adulta, se não fui, por um segundo, tão juvenil? Como explicar para outros o que sinto, se para eles, simplesmente, não interessa. Como, me diga como, depois de ter visto e vivido tudo (que não é nada) continuar em uma vida de renúncias, em uma vida de clausura, em uma vida de tédio! Como, sobreviverei ao tédio da vida real que tanto desejei?

sábado, 4 de dezembro de 2010

Sinto que esse é o momento exato para se voltar a falar. É preciso que se fale para que não se enlouqueça. É preciso registrar todas essas histórias, com h ou com e ou com i - se eu assim quiser - que passam pela minha cabeça. É preciso que os dedos voltem a ser inquietos, como o coração é. É preciso que não se preocupe com a métrica, com acentuação ou com as boas palavras, pois boas palavras são para boas meninas. Bons comportamentos, também. Por isso, é preciso não se importar se, agora, a escrita é no colo, se na boca há um cigarro, se na sala há pessoas, se na rua há barulho, se na rua... há a rua. Ah, a rua! Em todos os sentidos consonantes, em todos os sentidos destoantes, em todos os sentidos que podem ser sentidos. Há a rua, há um coração inquieto e há um dedo, ou dois, que se confronta com um cérebro que insiste em achar explicações, como aquelas que muitas vezes – muitos anos – me foram impostos. Não posso esperar mais, não, nem mais um minuto para dizer, para colocar para fora, não por achar bonito ou poético, não por ser excêntrico ou egocêntrico, mas por ser necessário, por se fazer necessário. É necessário que se fale, que se grite, que se inspire, que se aspire, aspire tudo o que o ar possa nos trazer, que seja pólen de flor ou monóxido de carbono, por que é assim que vivemos, entre “a flor e náusea” de Drummond, entre o real e o abstrato, entre o geral e o concreto, entre o limite da loucura e da razão, ou numa mescla divina dos dois. Divina, pois se há divindade é nesse nosso excesso de humanidade. Se (e só) nos descobrimos deus(es) ou diabos é nesse nosso excesso de dia-a-dia, nesse excesso e no acumulo que nos traz toda rotina. É no excesso de nós mesmos que sabemos ser humanos. Pois não é pelo polegar opositor, pela racionalidade, materialidade e todas as ades, ismos e idos (e vindas) que sabemos o que somos. Somos porque nascemos, e essa condição nos coloca a frente possibilidade de ser humanos ou existirmos. Coloca-nos a frente a necessidade de sobrevivência, como um bicho, mas coloca também à nossa frente a nossas vontades e latências, como bichos. E bichos que somos, somos inquietos, somos a flor, mas também somos a náusea. Somos asfalto e concreto e somos instinto e vaidade. Somos racionalidade e sobrevivência. A flor que ama e a náusea do vômito. Por que já passou do tempo de se dizer da essência e da aparência, portanto, somos, então, só essência.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Eu queria uma frase de efeito que fosse capaz de explicitar tudo o que estou sentindo, assim como muitos, que não lêem a obra inteira, mas se contentam com uma frase, que explica tudo. Grandes autores, são, sim, capazes de criar frases de efeito, assim como são, mais ainda, capazes de criar grandes obras. As frases são partículas, pedaços mal interpretados de um todo. Bom, mas o mundo hoje se contenta com as frases de efeito, as frases bonitas encontradas na internet. O mundo, sequer lê mais e-books, que dirá, os antiquados livros. Ah, e que belos livros, os mais belos, para mim, são os mais antiquados: os de poesia. O mais belo para mim, continua sendo mais antiquado aos olhos de muitos. Interessa-me o todo, o inteiro, que é chato, que demora, que às vezes emociona ou é truncado, mas se o é, é por inteiro, não uma parte resumida de um trecho bem elaborado. Mas, é que no fundo, eu começo dizendo que quero o depois, acabo criticando. É que, afinal, assim como as obras que me refiro, um escrito, um texto, uma poesia ou um desabafo, nunca têm finais pré-concebidos ou pré-escritos e muitas vezes nem são mesmo entendidos, como são, facilmente, as frases de efeito. Mas eu queria mesmo uma frase de efeito, queria saber resumir meus sentimentos em uma linha, meu ser inteiro em uma descrição on line, queria, na verdade, sentimentos mais comuns, mais fáceis de serem sentidos, queria um sofrimento mal elaborado, que sara com uma mesa de bar ou uma compra no shopping, por mais que eu seja, racionalmente contra, chega uma hora em que cansa a ra-ci-o-na-li-da-de de se escrever tudo certinho, de se escrever em linhas retas. Tem horas que minha vontade mesmo, era ser poesia concreta. Mas o melhor mesmo, seria ser uma frase de efeito, resumida, impactante, sem profundidade, sem o tudo ou o todo e que fosse, sobretudo, efêmera; trocada, de forma displicente, um dia após o outro. Eu queria, só por um dia, ser uma frase de efeito, e não uma obra inteira.