Não. Eu não preciso de terapia.
Na verdade, não preciso mesmo é de toda essa melancolia. Isso não me faz bem. E isso eu já sei.
Não. Eu não preciso mais de seu carinho fraterno, paterno ou eterno.
Não. Eu não sou sua esposa.
E você, não queiras ver em mim o que você não foi.
Não,
Eu não preciso dos seus conselhos, de suas vivências e complacências.
Eu não sei,
Eu não sou.
Duvido se um dia serei.
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
quarta-feira, 16 de junho de 2010
Acho que o meu pior defeito sempre foi querer buscar um reconhecimento maior do que aquele que o senso comum é capaz de dar. O senso comum gosta da dor. Ou melhor, já se acostumou com ela, porque, na verdade, o senso comum se acostuma com tudo! Acostuma-se com uma vida mais ou menos, um trabalho ou um horário mais ou menos, com uma porra rala no final de um papai-mamãe mal feito, com a recusa de seus desejos mais sórdido (e os menos sórdidos também), com uma relação que prende, maltrata e desumaniza, mas que é estável, por que, no fundo, o senso comum gosta mesmo é de estabilidade. Tem medo de arriscar, tem medo do novo, não pula com medo de se machucar ao chegar no chão e, por isso, perde a adrenalina da queda. Não tenta, achando que já vai perder, sem perceber que tem a mesma proporcionalidade de ganhar. O senso comum gosta mesmo é da cara de coitadinha, para que possa vir com a hipócrita solidariedade cristã e cuidar, sem perceber que esse cuidar significa também cruelmente dominar. Mas o senso comum não se admite enquanto cruel, pois ele não admite sentimentos, a não ser que eles sejam mornos. Ele jamais admitiria que atrás de sua aparente bondade e racionalidade, há sentimentos de fera, que devora, que não pensa, que tem fome, e que quando tem fome, sacia. Que quando tem sede, bebe. Que quando tem raiva, enlouquece. E que quando tem desejo, também sacia.
Mas o senso comum, não! O senso comum aprendeu muito cedo na escola a sentar-se em fila, amar a deus, cumprir ordens, ser racional. O senso comum é o animal domesticado que, todos os dias antes de dormir, sente saudade de correr livremente pela selva.
Mas o senso comum, não! O senso comum aprendeu muito cedo na escola a sentar-se em fila, amar a deus, cumprir ordens, ser racional. O senso comum é o animal domesticado que, todos os dias antes de dormir, sente saudade de correr livremente pela selva.
quarta-feira, 9 de junho de 2010
Se fosse só o tédio... mas o pior é a sensação de inutilidade. Sensação semelhante à que já senti, mas em outra situação.
Sinto que estou perdendo o mundo. Ele continua rodando, e eu continuo aqui, perdendo seu giro, suas cores, perdendo amores.
Sinto que estou atrofiando, em sentido visceral. Minhas costas doem e me dizem o tempo todo o quanto é preciso me levantar. O quanto é preciso levantar, mudar (?) ... mas eu não me canso de mudanças? A mudança, sempre presente em minha vida, me é combustível ou disfarce? Disfarça o tempo sem perceber as verdadeiras mudanças, que ocorrem enquanto eu busco as outras.
A minha sede pela vida continua viva, mas a vida se encontra com a realidade. Uma hora elas teriam que se encontrar, já que uma destrói, mas, ao mesmo tempo, dá sentido à outra.
A realidade destrói a vida e seu sentido?
Que sentido há nisso que eu falo?
Há, sim, a perda dos sentidos, de sentimentos, de vida. O tempo está passando muito lento, mas quando olho para trás, ele passou tão rápido!
O tempo só passa rápido para quem ama...
Sinto que estou perdendo o mundo. Ele continua rodando, e eu continuo aqui, perdendo seu giro, suas cores, perdendo amores.
Sinto que estou atrofiando, em sentido visceral. Minhas costas doem e me dizem o tempo todo o quanto é preciso me levantar. O quanto é preciso levantar, mudar (?) ... mas eu não me canso de mudanças? A mudança, sempre presente em minha vida, me é combustível ou disfarce? Disfarça o tempo sem perceber as verdadeiras mudanças, que ocorrem enquanto eu busco as outras.
A minha sede pela vida continua viva, mas a vida se encontra com a realidade. Uma hora elas teriam que se encontrar, já que uma destrói, mas, ao mesmo tempo, dá sentido à outra.
A realidade destrói a vida e seu sentido?
Que sentido há nisso que eu falo?
Há, sim, a perda dos sentidos, de sentimentos, de vida. O tempo está passando muito lento, mas quando olho para trás, ele passou tão rápido!
O tempo só passa rápido para quem ama...
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Poema trôpego
... e tenho sede.
Em tempos em que é proibido sentir,
eu tenho sede.
Em tempos em que é profundo saber
Que na verdade,
o simples
é sempre o melhor de se sentir.
Em que o amor
se tornou um meio - e não um fim - de se viver.
O tempo é bom
quando a gente já não sabe sofrer
Quando a gente sofre,
mas não porque já se cansou de viver.
E o tempo é curto
E o tempo já se cansou
E todos nós já nos cansamos de lhe alertar
Que o tempo é curto...
E nos nem conseguimos sonhar.
... e tenho sede.
Em tempos em que é proibido sentir,
eu tenho sede.
Em tempos em que é profundo saber
Que na verdade,
o simples
é sempre o melhor de se sentir.
Em que o amor
se tornou um meio - e não um fim - de se viver.
O tempo é bom
quando a gente já não sabe sofrer
Quando a gente sofre,
mas não porque já se cansou de viver.
E o tempo é curto
E o tempo já se cansou
E todos nós já nos cansamos de lhe alertar
Que o tempo é curto...
E nos nem conseguimos sonhar.
quinta-feira, 22 de abril de 2010
Texto escrito em 2005. Engraçado como mudam os personagens e os planos de fundo, mas a história parece sempre a mesma.
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Sobre a inutilidade dos sonhos
No auge de suas idades mais floridas, ela sonhara com tanta coisa... seus devaneios lhe pareciam sólidos, ela já se via realizando tudo aquilo que havia mentalizado. Aos poucos, foi vendo o mundo mostrar sua face mais escura, começou a perceber que seus braços eram pequenos demais para alcançar tudo aquilo que queria.
Seus sonhos foram sendo sufocados por aquela cadeira dura em que repousava sua bunda o dia inteiro.
- Repousar? Quem disse que ela estava cansada?
Com o tempo foi ficando... Cansa! Cansa querer continuar falando de poesia e descobrir que o tempo para a poesia já acabou; agora é hora de falar de gastrina, enterogastrina, coleicistonina... que raios de nomes complicados são esses para poder se fabricar MERDA! Merda, merda, merda! Para que saber desses hormônios de merda, se dentro dela outros hormônios afloram e a inebriam? E agora ela está preocupada por ter falado tanta merda. Repetição de palavras não é bom para a estética e também não é de bom tom falar merda. Deveria ter colocado entre aspas. Aspas dão licença poética, licença formal e quadriculada... "a libertação comprimida das aspas"... ainda escrevo sobre isso.
E agora percebo que já mudei o foco narrativo, mudei de assunto... e já que mudei mesmo, quero agora falar sobre flores e jardins, dias de sol e passarinhos cantando. É melhor falar de coisas bonitas...
...
... mas o problema é que já me enfiaram cabeça a dentro que coisas bonitas não dão 'ibope'. Já não sei mais falar dessas coisinhas (que sequer vivo). Só sei falar daquilo que sinto. Só sei escrever sobre angústia, porque a alegria não precisa ser escrita, ela fala por si, foi feita para ser vivida, e não comentada, escrita e milimetrada. E talvez essa idéia de felicidade, alegria, angústia sejam todos conceitos impostos por essa sociedade capitalista, hipócrita, cruel e blá, blá, blá ... lá vêm esses discursos pseudo-engajados, pseudo-acreditados, pseudo-vivenciados... que porre! Quem vai querer saber dessas ideologias, sobre a dialética da ideologia, sobre saber se me engano ou se sou enganada... qual é a diferença? Este é apenas mais um mero detalhe da alienação, da não-alienação ou do pagamento do analista.
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Sobre a inutilidade dos sonhos
No auge de suas idades mais floridas, ela sonhara com tanta coisa... seus devaneios lhe pareciam sólidos, ela já se via realizando tudo aquilo que havia mentalizado. Aos poucos, foi vendo o mundo mostrar sua face mais escura, começou a perceber que seus braços eram pequenos demais para alcançar tudo aquilo que queria.
Seus sonhos foram sendo sufocados por aquela cadeira dura em que repousava sua bunda o dia inteiro.
- Repousar? Quem disse que ela estava cansada?
Com o tempo foi ficando... Cansa! Cansa querer continuar falando de poesia e descobrir que o tempo para a poesia já acabou; agora é hora de falar de gastrina, enterogastrina, coleicistonina... que raios de nomes complicados são esses para poder se fabricar MERDA! Merda, merda, merda! Para que saber desses hormônios de merda, se dentro dela outros hormônios afloram e a inebriam? E agora ela está preocupada por ter falado tanta merda. Repetição de palavras não é bom para a estética e também não é de bom tom falar merda. Deveria ter colocado entre aspas. Aspas dão licença poética, licença formal e quadriculada... "a libertação comprimida das aspas"... ainda escrevo sobre isso.
E agora percebo que já mudei o foco narrativo, mudei de assunto... e já que mudei mesmo, quero agora falar sobre flores e jardins, dias de sol e passarinhos cantando. É melhor falar de coisas bonitas...
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... mas o problema é que já me enfiaram cabeça a dentro que coisas bonitas não dão 'ibope'. Já não sei mais falar dessas coisinhas (que sequer vivo). Só sei falar daquilo que sinto. Só sei escrever sobre angústia, porque a alegria não precisa ser escrita, ela fala por si, foi feita para ser vivida, e não comentada, escrita e milimetrada. E talvez essa idéia de felicidade, alegria, angústia sejam todos conceitos impostos por essa sociedade capitalista, hipócrita, cruel e blá, blá, blá ... lá vêm esses discursos pseudo-engajados, pseudo-acreditados, pseudo-vivenciados... que porre! Quem vai querer saber dessas ideologias, sobre a dialética da ideologia, sobre saber se me engano ou se sou enganada... qual é a diferença? Este é apenas mais um mero detalhe da alienação, da não-alienação ou do pagamento do analista.
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