terça-feira, 9 de março de 2010

"Algumas vezes eu fiz muito mal para pessoas que me amaram. Não é paranóia não. É verdade. Sou tão talvez neuroticamente individualista que, quando acontece de alguém parecer aos meus olhos uma ameaça a essa individualidade, fico imediatamente cheio de espinhos - e corto relacionamentos com a maior frieza, às vezes firo, sou agressivo e tal. É preciso acabar com esse medo de ser tocado lá no fundo. Ou é preciso que alguém me toque profundamente para acabar com isso."
(Caio Fernando Abreu)

sábado, 6 de março de 2010

Enquanto você dorme eu faço disto, como sempre, o meu refúgio, não que seja necessário - mas é bem verdade que tem horas que é - mas para mais obedecer a um protocolo que eu mesma criei. É que ando - ou sempre andei - criando protocolos, para, logo depois, ter o prazer de quebrá-los. Ou talvez não seja mesmo um protocolo, ou talvez não seja mesmo um prazer, ou, mais uma vez, talvez, seja mesmo uma dor. Que há sempre um leve prazer na dor.
Sempre me encanta a sensação de não dormir enquanto o mundo dorme, sonha, e eu... sempre na vida muito real. Mas, as vezes, realidade demais cansa. Queria poder saber sonhar novamente, sonhar sem dor. Mas, espera, não há sempre um leve prazer na dor?
As contradições em minha cabeça são muitas, nem deveriam ser publicadas, mas há que se falar. Há sempre uma vontade louca de dizer, não em palavras ditas, mas em escritas. A escrita me acompanha faz tempo... me faz bem ou mal? Sei que Drummond tinha razão ao dizer "na solidão de indivíduo, desaprendi a linguagem com que os homens se comunicam".
Mas, porém, todavia, entretanto... todas estas palavrinhas que nossa língua nos dá para expressar o quanto, na verdade, nunca sabemos ou temos certeza de nada. E nunca teremos! E ainda bem que é assim! Deve ser muito chato ter certeza das coisas. Ou talvez seja acalentador descobrir-se certo. Descobrir-se, porque há sempre uma nova descoberta. Não. Para quem tem certezas não há novas descobertas. Tudo se torna fato, escrito, datado, concretizado e não passível de mudança. Alguém diria: "nada é impossível de mudar", mas, será que, assim como inventamos um deus para ser redentor, não inventamos as mudanças para termos sempre uma esperança? Esperança de que tudo pode melhorar, de que é possível revolucionar para, depois, sentirmos uma ponta de orgulho nas pequenas mudanças? Ou para nos sentirmos angustiados quando elas simplesmente não existem? Para querermos sempre 'quebrar a rotina', 'subverter a semana' e achar que, com isso, com apenas isso, seremos melhores ou menos frustados?
E esta frustação vem de onde? Da consciência, ciência e, sobretudo, impaciência. Da virtude pueril que nunca existiu? Das rimas bem elaboradas que nunca me serviram de nada? Da tentativa de rimas mais fáceis, de uma leveza forçada que, se é forçada, também não serve pra nada, a não ser por trazer mais angústia pela seriedade abortada, pela intensidade recalcada, da vida que poderia ser mais fácil, leve e, conseqüentemente, mais sem graça. Sem graça, pois o ser humano não nasceu para este equilíbrio inalcançável! E nem para esta seriedade inalcançável - então por que eu a busco?
Na ausência de parênteses, uso sempre pontos finais ou, freqüentemente, travessões, que podem indicar uma conversa invisível, por que nunca acontece! - E há um sentido que vai muito além da gramática nisto que digo, mas que poucos entendem por eu ser tão implicíta e, por isso, nunca conseguir aquelas demonstrações que queria explícitas.
A cebeça a mil e a vontade de falar, gritar, mas eu opto sempre por escrever... e esperar.
Esperar que aquele pensamento, que era muito bom, volte. Esperar que aquela idéia, que era muito boa, volte. Esperar que aquela sensação que era, no começo, muito boa, volte. Esperar que tudo volte, mas, não sem antes, sentir sempre o medo de voltar. E este medo, existe, afinal, por que, por mais que tente me convencer do contrário por uma mera situação filosofica, - ou nem isso - eu, como todo ser humano, me alimento de esperanças e, vejam só, não uso tanto pontos finais. Às vezes, eu prefiro usar as vírgulas ou deixar que tudo seja menos regrado, menos cheio de normas que eu mesma crio... para nunca conseguir cumprir. Cheio de reticências que, por mais que venham sempre seguidas de outras palavras, nunca serão fechadas enquanto eu não conseguir. E conseguir o quê? Acabar com as reticências que me impulsionam a escrever? Acabar com a escrita, que ainda me dá sonhos no triste viver. Acabar com toda esta dramaticidade de alguém só não consegue adormecer...

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Há sempre em mim uma tentativa de me fazer triste. Mesmo que essa tristeza talvez nem exista de fato, mas, é bem verdade, que me sinto sempre muito mais humana quando me sinto triste. Quando há em mim um aperto no peito que me faz senti-lo vivo. A alegria pode trazê-lo à tona também, mas, confesso, é na tristeza, ou, diria melancolia, saudosismo, etc, que me encontro de fato. É que ela é minha, entende? É, de certa forma, encantador ficar sozinha e saber que sinto tudo isto sozinha, é algo só meu, que só existe dentro de mim. E compartilhar pode até ser bom para a Psicologia, a Bioenergética, a convivência social, mas a real, é que todos precisamos de sentir essa dor saudável. Precisamos nos encontrar. Precisamos de um tempo sozinhos, um cigarro sozinhos, um canto só seu, uma dor que é só sua, um segredo, um qualquer coisa que te faça sentir-se única, sentir-se humano, capaz de sentir, refletir, e não ser (ainda) robotizado pelo mundo.

E é sempre preciso lembrar-se de Vinicius:
"Que todo grande amor só é bem grande se for triste".
"Uma mulher tem que ter alguma coisa além da beleza, Qualquer coisa feliz, Qualquer coisa que ri, Qualquer coisa que sente saudade".

É que, tem horas, em que as rochas querem sentir-se conchas.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

De repente, sinto-me na obrigação de lhe agradecer.
Agradecer por tudo aquilo que já te falo e muito mais.
Por me fazer sentir de volta o frio na barriga daqueles que sentem paixão.
Pois é dela que me alimento.
Da paixão por estar viva,
paixão pelo que quero e por lutar pelo que acredito.
Paixão. Por você.
Neste momento, somente por você.
Por que me fizeste esquecer o mundo.
E se há algo de errado nisso,
eu não quero saber.
Não quero ligar para o que chamam de certo ou errado
Quero me ligar no que nós achamos certo,
no que nós...
e nós, que nem sabemos o que é errado...

Agradeço pelos sonhos de volta, pela esperança de volta e por todas essas reviravoltas.

domingo, 27 de dezembro de 2009

A sensação que tenho de perda ou que você diria de não-lugar. De não-lugar em sua vida. De sentir, e querer, meio que em um não-querer, provar a mim mesma que não mereço tamanha felicidade. Não, felicidade não é pra mim. É um qualquer coisa entre a mediação da euforia e do desespero. E felicidade vem sempre acompanhada de um certo desespero. E medo. Medo de perder o que é bom. Medo das borboletas em meu estômago que podem me trazer gozo ou ansiedade.
Se despertas em mim tudo isso ao mesmo tempo e agora, deve ser real. Tem que ser real. E por conta da imaginação ficam outras coisas...

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Tudo que ela sabia e dizia o tempo todo é que era preciso se recuperar, mas, a pergunta agora era: recuperar o quê? O que ela nem sabia que um dia havia existido. As configurações da mulher adulta não eram, e talvez nem pudessem ser, todos os sonhos de outrora. Afinal, nós somos aquilo que julgamos ser ou somos a imagem projetada de um sonho? Sonhos esses que são meus ou de outros? A quem, de fato, interessam os sonhos?

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

... Se me falas com tamanha ternura de minha quietude no dizer, de minha confusão e meus medos, saiba que, com o tempo, o carinho transpõe estas barreiras. É que, no fundo, nos já sabemos entender o que outros talvez chamassem de sintonia. Temos nossa própria 'sintonia', de carinhos e palavras, de corpos e gestos, de idéias e ações... de tudo aquilo que eu dizia de me trazer de volta inspiração e transpiração. De sonhos e planos compartilhados. De algo que, eu sei, só me faz bem!